terça-feira, 4 de fevereiro de 2014

Saudades..



"Todo mundo é capaz de dominar uma dor, exceto quem a sente"

Quando era mais nova a morte para mim não era um fim, mas sim um inicio. O fim da vida num mundo cruel, onde as pessoas não olham a meios para atingirem os fins, que as pessoas não se importam de magoar outro, apenas... por prazer. 

E como católica que sou, acredito que as pessoas quando morrem, vão para um sítio feliz, com paz e tranquilidade, onde há apenas pureza e bondade, um local quase perfeito, que chamamos de céu. Onde não existe dor e as pessoas que foram menos boas em vida, que se arrependem e mudam as suas atitudes.

Mas agora cresci. Em termos físicos, psicológicos e emocionais, cresci, talvez não tenha a mentalidade de uma rapariga de 18 anos ou talvez a tenha em demasia, não sei, mas sou diferente da pessoa que era há um ano. Pessoas apareceram e desapareceram da minha vida, fui feliz e fiquei também triste. Perdi e ganhei.

Perdi um grande pilar da minha vida, há quase 5 anos, um dos homens da minha vida, uma pessoa que fez e fará sempre parte do meu crescimento, um homem ao qual tenho de agradecer, tudo o que fui, serei e sou. O homem a quem tenho de agradecer tudo o que sou hoje. Espero que esteja orgulhoso de mim!

O meu avô João, morreu cedo, cedo demais, para mim e para toda a família. Morreu depois de muitas dores, muito sofrimento e muitos problemas de saúde, estava em sofrimento e agora está em paz. 

Hoje é uma estrelinha brilhante no céu, é sem dúvida, a estrela que mais brilha no céu, é por ele que sorriu, que luto, que vivo, que respiro. Porque sei que ele me quer viva, que é o único que não vai deixar de estar ao meu lado e que me ama com toda a sua essência e quando não conseguir encontrar um caminho, ele vai-me fazer-me reencontrá-lo.

Tenho saudades, saudades do que sei que não vou reencontrar enquanto for viva, saudades dele, de ter um abraço, um beijinho ou um carinho. Sei que ele faz parte de mim e está comigo, todos os dias, a toda a hora a meu lado, mas faz-me falta tê-lo em corpo.

Uma imagem que nunca me esquecerei na minha vida, foi do último sorriso da vida dele, que foi o que ele me deu, dois dias antes de morrer, quando me viu. E é por ele que eu sorriu e tento sempre deixar toda a gente feliz. 

Avô tenho saudades de ti, das tuas coisas, tenho saudades de tudo o que é teu. És uma estrelinha no céu, és o meu orgulho, o meu homem e quando tiver um filho quero que tenha o teu nome e seja como tu! 

Obrigada, e desculpa.

Beijinhos, da tua neta, Rita 

1 comentário:

  1. Olá :D

    Descobri o teu blog por acaso e assim que li este texto não pude deixar de comentar pois custa-me falar sobre a morte de pessoas que me são próximas e que amo, apesar de me sentir mal ou por vezes triste não consigo desabafar com algum familiar ou amigo , prefiro sofrer em silêncio. Mas decidi que estava na hora de desabafar..

    Sempre me disseram que quando uma pessoa morre e vai para o céu: ou vai para o Paraíso ou para o Inferno, dependendo das coisas boas ou más que fizeram em vida. Mas será isso verdade? Só um dia o saberemos. Muitas vezes me ponho a pensar como será... será que reencontraremos as pessoas próximas que faleceram, será que conseguiremos ver o que se passa na Terra? Como será? Por vezes penso nisso pois gostava de saber se as pessoas que amo estarão bem, se estarão a olhar por mim!

    Quando amigos me falam nos avós, sinto-me sempre nostálgica e triste, gostava de saber como seria a minha vida se ainda tivesse cá todos, ou quase todos os meu avós. Os primeiros a deixar-me foram o meu avô paterno e de seguida o meu avô materno, devia ter talvez uns 5/6 anos, mas ainda tenho pequenas lembranças deles, do carinho, do amor, dos pequenos gestos, partiram muito cedo. Foram os melhores avôs que puderam, e tenho pena de não ter convivido mais com eles, eles eram tão bons... :'(

    Apenas restaram as minhas avós mas não foi nada igual, a minha avó materna talvez seria a que mais mostrava um pouco de carinho, mas coisa pouca... nunca foi dada a demonstrações de afeto e pouco dada a acarinhar ou a oferecer algo aos netos, mas o dia em que a perdi, à 5 anos foi horrível. Sinto falta dos domingos em que a ia visitar ao lar e arrependo-me de não ter ido mais vezes visitá-la.

    Quanto á minha avó paterna... bem, essa foi uma das fases mais difíceis da minha vida, conflitos na família, não me aceitava como neta, ao inicio foi difícil aceitar isso eu era apenas uma criança quando ela teve a coragem de me dizer na cara que não era neta dela... Mas perdoei, uma neta também é capaz de perdoar! Ela era influenciada por outras pessoas e o problema de saúde dela também não ajudava muito. Mas foi quando as pessoas que lhe faziam a cabeça contra os meus pais a abandonaram que eu cuidei dela. Tirava sempre um pouco do meu tempo para cuidar dela pois ficou com alguns problemas de saúde e deixou de andar. Foram anos difíceis, em que tirava um pouco do meu tempo em que abdicava de estudar ou de descansar para a ajudar a comer, ou a sentá-la na cadeira de rodas, ou até mesmo a fazer-lhe companhia pois custava-me ver que ela estava a sofrer. A morte dela foi talvez a mais traumática e aconteceu quando menos esperava. Ela morreu mesmo ao pé de mim, tinha acabado de lhe fazer o lanche e tentei fazê-la comer, mas ela rejeitou a comida. A ultima coisa que lhe disse foi "Vó, então que se passa não quer comer?", sabia que ela não me iria responder pois já falava muito pouco e por vezes nem dizia nada, mas tentava mesmo assim que ela disse-se algo. Apenas tive tempo de chamar alguém aos berros, mas, para ela acabou ali o sofrimento. Sem dúvida que foi das pessoas que me custou a ver partir, não só por a ter visto a morrer mesmo à minha frente mas também pelos anos que passei a cuidar dela ajudando assim os meus pais. Eu gostava dela, apesar de tudo, e sentia que no fundo ela também sentia algum carinho por mim.

    Houve mais pessoas que partiram da minha vida de forma inesperada e de quem sinto imensa falta, mas são estas quatro pessoas que referi acima que me fazem falta e que serão para sempre insubstituíveis.

    Espero também que os meus avós estejam orgulhosos de mim, e que me ajudem quando mais precisar a seguir o melhor dos caminhos.

    Desculpa lá este grande desabafo, mas já o precisava de fazer à muito tempo. Obrigada por me ouvires (neste caso ler xD).


    Beijinhos

    Ps: Com certeza o teu avô João está muito orgulhoso de ti e te ajudará quando mais precisares! Basta acreditar! :D

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